quarta-feira, junho 29, 2005

CUIDADO, CASIMIRO, CUIDADO COM AS IMITAÇÕES…

Fiz nestes dias uma incursão nocturna pelas Docas. Miserável, o ratio “Nº de Miúda Giras / Total de Miúdas”. A culpa é das americanas gordas, dão cabo da mais bem intencionada média aritmética…

Enfim, lamuriava-me eu aos céus em triste ladaínha, pesaroso pela minha pouca sorte. Muito pouca, mesmo, até porque toda a gente a sabe o que acontece às vozes de burro que apontam ao alto. Adiante.

De súbito, algo inesperado aconteceu: vi a Princesa Diana. Tinha de ser ela: a tiara inconfundível ofuscava como um farol na cinzentona noite lisboeta, carregada de ingleses enresinados e brasileiras daquele género que deixam um gajo na dúvida, se é suposto pagar, ou não.


Não me atrevi a dirigir-lhe a palavra, como essa gorda repelente que se despe nos programas do Herman e que é a verdadeira causa de impotência sexual entre os homens portugueses. Nada disso. Ainda de olhos semi-cerrados pela luz ofuscante, resolvi ganhar coragem e aproximar-me lentamente.

“Estarei doido? Estarei ébrio? Serei parvo…?” – pensei para os meus botões. "Muito provavelmente, um bocadinho de cada."

Tinha que lhe tocar. Tinha que ser. Senti-me como mosca esvoaçando alegremente rumo à electrocussão iminente, inebriada pelo azul desses grelhadores de insectos que habitam os tectos dos cafés. A LUZ!!! A LUZ!!! Aquela luz inebriante clamava por mim: “Toca-me!! Leva-me!!!” Senti um arrepio na espinha, à medida que passava os dedos por aquele estranho objecto. Que sensação indefinível: parecia...plástico...?

Po fim, o feitiço quebrou-se: envolvendo o enigmático adorno estava um quarteirão de luzinhas “à bimbo”, típicas da noite lisboeta. O “quefrô” que a tinha na cabeça olhou para mim desconfiado, como quem diz:

“-Será que este paneleiro me vai apenas apalpar, ou sempre compra a merda da tiara…?”

domingo, junho 19, 2005

O "RECORD" ATACA DE NOVO...

Informa o jornal desportivo na sua capa de hoje:

"Nuno Assis e Carina casaram-se ontem"; "Hugo Almeida e Postiga também deram o nó"

É Primavera...Parabéns aos noivos!!!



quinta-feira, junho 16, 2005

SIZE MATTERS...

O "Record" noticia hoje em manchete:

"Koeman quer matulões"

Enfim, são gostos. Há que respeitar.

segunda-feira, junho 13, 2005

NÃO HAVIA NECESSIDADE...

D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, abre-se ao "Correio da Manhã" (secção "Sociedade" 13/06/05):

"Sou um activo apaixonado"

Muito bem. Bonito. Enternecedor. O que importa mesmo é o empenho e a vontade com que fazemos as coisas. Mesmo quando custa um bocadinho.

sábado, junho 11, 2005

SANTIAGO E ESPADALHÃO

Inspirei-me nas 59 condecorações entregues pelo Presidente Sampaio e resolvi seguir-lhe o exemplo. Aqui ficam os "Prémios do Parque - 10 de Junho de 2005", baseados na secção "Convívio" dos Classificados do "Correio da Manhã":


Prémio "Fontes de Energia Alternativa"

Travesti Blenia Algés 23 anos, Turbinada, novidade. Completa, desinibida. Tm:969286699


Prémio "Maior número de anglicismos relacionados com putedo no espaço de duas linhas"

· Domina!!! Bondage/ Footfitche/ Tranformismo/ Dogtraining/ Facesitting/ Trampling +Submissa!!! http://mestraadriana.tripod.com, 96-3553742


Prémio "Maior Aldrabão de Todos os Tempos"

Homem, 39 anos, virgem. Desloco-me durante o dia, a partir das 21 recebo em casa.


Prémio "Fetichismo muito específico"

Hyundai H1 com contentor ano 09/2001 È962656506


Prémio "Mensagem lamechas, dessas que passam em rodapé na Praça da Alegria"

· IC 19... Sou mulher... liga-me... não te arrependerás... Tm.96-4805485



Vá lá, dá-lhe uma oportunidade, caro amigo IC19. Ela ama-te.

terça-feira, junho 07, 2005

"Não, não, eu é que gosto mais..."


Tenho cá por casa um "Fofinho". "Tá bem, pá. E o que é lá isso? É uma cena gay...?" - pergunta o caro leitor com comprensível preocupação. Nada disso, um "Fofinho" é apenas um adolescente cobardemente atraiçoado pelos efeitos da Primavera.

Esta peculiar criatura vive num habitat muito específico, limitado-se a calcorrear nervosamente um círculo com centro no telefone do agregado familiar e diâmetro de cerca de 2 metros.

Animal governado por instintos básicos, desenvolveu o curioso reflexo de fechar a porta da cozinha, sempre que ouve tocar a sineta do telefone. Inesperadamente, ocorre uma estranha metamorfose: o "Fofinho" passa de borboleta pairadora para falcão assassino, despenhando-se sobre o aparelho como se não houvesse amanhã.

Ocorre então outro fenómeno nada menos extraordinário: um mastodonte com 1,80 m, bigode farfalhudo e quatro palmos entre ombros é brutalmente atacado por uma estranha virose, cambiando o seu normal tom de voz para um registo desmesuradamente enrabichado, desses que faria o Castelo Branco parecer um trolha de Famalicão, acabadinho de frequentar o putedo local.

Este "colibri de sala de estar" não necessita de comer, na vulgar acepção da palavra: ele alimenta-se de "carinhos fofinhos", "beijinhos repenicados", "miminhos apertadinhos" e todos os demais subprodutos eventualmente suportados pela linha telefónica.

A linguagem usada por este mamífero é qualquer coisa de extremamente rudimentar, recorrendo sumariamente a três expressões-chave ("Não", "Eu é que gosto mais!" e "Fofinha") que vai usando e recombinando ciclicamente: "Eu é que gosto mais!", "Não, eu é que gosto mais!!", "Não, não , não, eu é que gosto mais!!!" ou mesmo "Não, não, não, não, não! Fofinha, eu é que gosto mais!!!!".

E pronto, foi o "Momento Discovery" cá do Parque.

segunda-feira, junho 06, 2005

Anões, bidés e outras histórias do arco da velha

Anões

Ultimamente, têm-me acontecido as coisas mais incríveis. Ainda assim, não estava convenientemente preparado para o que me esperava ao virar da esquina, perto do gulag onde trabalho. Portugueses e portuguesas: um jantar de anões. Nem mais, nem menos, um simpático jantar/confraternização, daqueles a fazer lembrar o convívio anual das Panteras Sanguinárias do Alto Manhongo, só que sem a parte dos traumas de guerra e das tatuagens com juras de amor eterno, à mãezinha ou à doce Lucinda na distante Vila Nova de Cerveira.

Visto de fora, pelo menos, a coisa parecia animada. E ainda bem. A malta de todos os tamanhos tem que se reproduzir. Olhei alguns segundos para aquele fenómeno e pus-me a andar, tentando não dar muita bandeira. Já dentro do veículo, comecei então a digerir aquele insólito episódio.

Na verdade, segundo as regras do politicamente correcto, não parece nada bem gozar com estas coisas. Porque sou um gajo educado, resolvi precaver o leitor para certo tipo de frases "assassinas" que certamente o porão na lista negra de entidades como a "Sociedade dos Amigos das Pessoas a Baixa Altitude", forrada do chão até ao tecto com posters da idade de ouro do Pequeno Saúl, isto é, quando ainda era pequeno. Entre os mais desagradáveis conversation-stoppers, destaco as seguintes pérolas:

"-Tudo em cima?"

"-Então, como é isso de ter 30 anos e vestir-se na Cenoura?"

"-Faltou-te um bocadinho assim..."

E depois não venham cá dizer que o Parque só serve para gozar. Está provado que me preocupo com as minorias. "Minorias" é, realmente, um termo muito apropriado.

Bidés

Outra coisa muito mais importante que estas palermices: parabéns ao amigo Bidé, que esteve ontem a apresentar as suas "Leituras de casa de banho" na Feira do Livro. A não perder, na FNAC.

Outras histórias do arco da velha

Ficam para a próxima postada, num Parque perto de si.

domingo, fevereiro 27, 2005

OLHAR BEM PENETRANTE

Voltando a Imprimatur -O Segredo do Papa, segue o segundo e último simpático excerto. Nesta breve passagem, vamos encontrar o aprendiz de estalajadeiro em amena cavaqueira com o abade Atto Melani, este último desancando forte e feio na imagem até então impoluta da Rainha de França:

“-Monacal? –disse Atto, por fim – Eu não usaria esse termo – retorquiu manhosamente. E explicou-me que Devizé me tinha descrito um quadro talvez demasiado imaculado da defunta Rainha de França. Em Versalhes, ainda era possível encontrar uma jovem rapariga mulata, que se assemelhava curiosamente ao Delfim. A explicação de tal prodígio remontava a vinte anos atrás, quando os Embaixadores de um Estado Africano tinham ficado alojados na Corte. Para manifestar a sua devoção à consorte de Luís XIV, os Embaixadores tinham doado à Rainha um pajem preto de nome Nabo.

Alguns meses mais tarde, em 1644, Maria Teresa deu à luz uma menina forte e graciosa de pele preta. Assim que se deu o prodígio, Félix o cirurgião real, jurou ao Rei que a cor da recém-nascida era um inconveniente transitório, devido à congestão do parto. Com o passar dos dias, porém, a pele da menina não ficou mais clara. O cirurgião real disse então que talvez os olhares demasiado insistentes de algum preto da corte tivessem danificado a gravidez da Rainha. «Um olhar» replicara o Rei. «Deve ter sido bem penetrante!»

sábado, fevereiro 05, 2005

CANAL HISTÓRIA

"Canal História: desde o passado mais remoto, até ontem à tarde".

Quem é que inventou este slogan ...?



domingo, janeiro 30, 2005

TIRO NO PÉ

Foi com grande espanto que vi um dos últimos outdoors do PSD, mostrando o Primeiro-Ministro com o fato-macaco de presidente do partido. Ao lado do cavalheiro, os seguintes dizeres:

"Este sim, sabe quem é!"

Pois, o problema é que a malta sabe mesmo. Ainda assim, escusavam de se dar ao trabalho de o relembrar. Não havia necessidade, como diria o saudoso Diácono Remédios.

sábado, janeiro 22, 2005

Dos ratos, da peste e da ciência moderna…

Tenho andado entretido com os livros que me ofereceram no Natal, fiéis companheiros na minha diária peregrinação Mem Martins-Entrecampos-Anjos-e-volta-pelo-mesmo-caminho. Todos eles "best seller", fábulas em volta de supostos segredos do Vaticano, conspirações, sociedades secretas e a vida sexual do Alexandre Frota*. Enfim, o trivial, não é verdade?
Pois bem, depois de despachar o "Código da Vinci" resolvi então passar ao segundo round: "Imprimatur - O Segredo do Papa". A coisa passa-se na Itália (ou projecto dela) de 1683, numa simpática estalagem onde anda tudo a morrer de peste, veneno, doenças venéreas, etc. Depois de soar o pretenso alarme da peste, a bófia local (os homens do bargello) tratou rapidamente de emparedar os pensioneiros até a coisa acalmar. Que é como quem diz, morram todos aí dentro, que não fazem falta nenhuma cá fora. E por cá ainda se queixam da prisão preventiva, vá-se lá saber...
Entre as pitorescas personagens da pensão, o diálogo que vou passar a citar tem lugar entre Cristofano (o médico de Siena) e o estalajadeiro-aprendiz, um jovem que tem o sonho de vir a ser gazeteiro e como bónus, comer desalmadamente Cloridia, a cortesã (ou a puta lá do sítio, se preferirem) que foi apanhada no meio da trama. Depois de avistarem uma miríade de ratos mortos esvaídos em sangue no chão, o médico exibe com doçura paternal toda a sua irrefutável sapiência nos seguintes termos:

"(...) - Meu pobre rapaz, os ratos são os primeiros empestados. Hipócrates recomendava que não se lhes tocasse e do mesmo parecer foram Aristóteles, Plínio e Avicena. O geógrafo Estrabão refere que, no período romano, era bem conhecido o funesto significado do aparecimento nas ruas de ratos doentes, antecipando uma epidemia, e recorda que em Itália e Espanha eram dados prémios a quem matasse o maior número. No Antigo Testamento, os Filisteus, atormentados por um ferocíssima pestilência que afligia as partes traseiras, fazendo sair pelo ânus os intestinos putrefactos, notaram que os campos e as aldeias tinham sido invadidos por ratos. Interrogaram, então, os adivinhos e os sacerdotes, que responderam que os ratos tinham devastado a terra e era necessário ofertar ao Deus de Israel, para lhe placar o desprezo, um ex-voto com o desenho de ânus e de ratos. O próprio Apolo, divindade que causava a peste, quando se sentia irada e que atirava quando se acalmava, era chamado na Grécia, Esminteu, ou seja, matador de ratos. E, com efeito, na Ilíada, é Apolo Esminteu quem trucida com a peste os Aqueus que sitiam Tróia. E também Esculápio, durante as epidemias de peste, era represntado com um rato morto a seus pés.
- Mas, então os ratos provocam a peste! - exclamei pensando horrorizado nos ratos mortos que tinha visto na noite anterior nos subterrâneos.
- Calma rapaz. Não foi isso que eu disse. Aquilo que te acabo de expôr são apenas convicções dos antigos. Felizmente, estamos em 1683 e a moderna ciência médica fez enormes progressos. A vil ratazana não provoca a peste, que pelo contrário...como já tive ocasião de te dizer, é causada pela corrupção dos humores naturais, e, primeiramente, pela ira do Senhor Deus.*"

E então, o que é que vos suscita esta pérola? Na próxima postada há mais um delicioso trecho de "Imprimatur - o Segredo do Papa". Com o meu ritmo de postagem, deve ser lá para a Páscoa, pouco menos...

* É mentira essa do livro do Frota: comprei-o beeeem depois do Natal.
**O negrito fui eu que fiz, e não o senhor que escreveu o livro.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Tributo a "Xão & Costa"

Tenho recebido amiúde um e-mail mariconço sobre a nostalgia dos anos 80, a falar de uma porrada de picolhices avulsas. O "Marco" que se lixe e vá mas é pastar mais o macaco. Tenha cuidado, porém, porque já diz o povo em toda a sua sabedoria: "A brincar, a brincar, foi o macaco..." Olha, fiz uma rima. Assim sendo, apeteceu-me ripostar com a minha versão dos anos 80. Uma pequena amostra, neste caso.
Há qualquer coisa de muito zen no comércio tradicional. Será o enigmático buço da proprietária? Será o caleidoscópio cambiante das nódoas na bata? Enfim, é uma aventura em cada esquina, isso é que é.
Mas hoje quero que vá pastar o joio do comércio tradicional (e aproveite, leve o Marco e o macaquito atrás), porque esta missiva pretende prestar especificamente homenagem à Meca do pronto-a-vestir dos subúrbios, a Jerusalém dos "jogos de cama", senhoras e senhores: "São&Costa".
Na verdade, muito antes de sonhar sequer com o glamour próprio da Zara do Cascaishopping, aacontece que fui desde tenra idade peregrino do verdadeiro santuário do prêt-a-porter , essa enigmática Compostela dos textêis do Vale do Ave que é a nossa "São&Costa".
Mais do que um simples estabelecimento comercial, "São&Costa" é um estado de espírito. Resulta neste caso concreto que esse tal espírito se lembrou de incorporar uma simpática e patusca quitanda do têxtil, onde a minha santa mãezinha tratava de vestir os seus dois rebentos (quando era para comprar uma "coisa boa") sempre sob a supervisão atenta da dona da loja, a Dona São. Ou melhor,"Dona Xão", já que a xenhôra fala axim.
Estou a reportar-me aos tempos tenebrosos da roupa que não condizia, onde o rôxo dava bem com o verde e uma imaculada meia branca de renda ficava muito bem a qualquer criancinha em idade escolar. E quando não ficava bem, a mãe tratava de lhe explicar que ficava mesmo. Caso ela concordasse, ou não. Estávamos pois na Idade Média do vestuário, chamemos-lhe assim.
Sucede pois que a dona da loja tinha uma espécie de lema que saltava como uma mola, sempre que eu (ou o outro pouco afortunado irmão) experimentávamos uma pecita de roupa:

-"Ai, dona Xão, ichto beste tõe bem..." (a minha mãe também é São)

Invariavelmente, o comentário era este. Para aquela santa senhora, tanto fazia que se tratasse de uma camisa como um par de cuecas "à velha": qualquer trapinho ficava aquelas martirizadas crianças. E enquanto nos submetíamos à prova da indumentária, tratávamos de apreciar com o olhar encantado que é próprio da infância toda aquela profusão de infindáveis galerias de camisas verde/amarelo, calças bordeaux e roupa interior para homem e senhora. Que bonito, pensava eu na minha doce ingenuidade. No entanto, sempre torci o nariz às sinistras embalagens de roupa interior para homem, onde aparecia sempre um marmanjão a coçar os mamilos (ou pior...) numa pose pretensamente sexy, mas que só devia surtir efeito no meio de um chá das 5 na Opus Gay.
Mas o tempo não perdoa e, assim que começou a aparecer um dinheirito, a família foi lentamente votando o espartano estabelecimento ao abandono. A minha mãe ainda deixa escapar um certo saudosismo daquela roupa, mas essa é maleita que acho nem o tempo consegue curar. Aquilo parou no tempo, não renovaram os desenhos, as cores, os cortes. Está condenada a durar até ao fim da anterior geração, porque esta mija-se a rir ao ver a montra.
Mas se for para falar de paragens no tempo, teria que dedicar uma ode inteira aos "Armazéns Gatuxa", a loja onde se veste todo o marciano janota que se preze. Sim, porque aquela roupa não é deste mundo. Não pode.

terça-feira, janeiro 04, 2005

A tragédia, o drama, o horror...

Num desses dias de azáfama consumista pré-natalícia lá acabei por cometer o erro imperdoável da praxe: fui ao Colombo. Isso mesmo. Por esta altura já está o fiel leitor com um sorriso trocista nos lábios, enquanto confidencia aos seus botões: "Colombo? No Natal? Que grande besta!!". E com toda a razão, diga-se. Mas olha, ajoelhei e lá tive de rezar; é como quem diz: esperei feito asno pela última semana e tive que levar com ele. O Colombo. Tudo isto porque nesse tal antro dei de caras com duas almas que -mais ou menos, lá vão aparecendo na televisão: o Adelino Granja e aquela miúda gira do júri dos Ídolos.
A miúda só é gira nos Ídolos. Mal vestida, pouco penteada, sem base, a jovem nem por sombras me levava ao altar. Ah, não. Um decepção, foi o que foi.
Quanto ao senhor Adelino Granja...pasme o caro leitor, mas a criatura é feia, mesmo feia. Quase faria desconfiar que a Odete Santos teve um affairzito com o Emplastro. Ou com o Adamastor. Ou com um abutre, peculiar que é o nariz do senhor.
E pronto, agora vou morder a língua e cair redondo no chão. Bem feito.




quinta-feira, dezembro 30, 2004

Fico sempre agastado com aquele anúncio da Sagres em que aparece um gajo seboso que recebe a visita de uma loura de bradar aos céus, abocanhando avidamente um lólipópe. Sucede que o nosso amigo sebento enxota a deusa nórdica sem dó nem piedade, escusando-se num inqualificável:

"Eh, Daniela...agora não dá..."

Dito isto, o grande rabeta encolhe os ombros e fecha a porta à pobrezita, que para casa lá voltou num pranto inconsolável e envolta nas suas diminutas vestes. Vá lá que não fazia frio, pois aí maior seria ainda o crime desse algoz da barba de uma semana.

Moral do anúncio: Jovem de hábitos higiénicos dúbios, tu que gostas mais de beber uma Sagres do que martelar desalmadamente uma loura boa todos os dias...olha, aproveita para escamar o besugo com a mão que ficou livre.

domingo, dezembro 19, 2004

Dia de limpezas...

Dediquei uma parte da tarde de hoje a limpar o lixo acumulado na minha pobre e abandonada caixa do correio. Três ideias a reter:

- às carraças do Grupo dos Amigos de Olivença agradeço os votos de boas festas

- a um tal de Mike que me quer vender medicamentos sem necessidade de receita médica, fico grato pela intenção

- a uma freguesa chamada Sue que gentilmente me propõe um "penis enlargement"...bem...por estas e por outras vou mas é pôr um livro de reclamações à cabeceira. Mais do que nunca, o cliente tem sempre razão.


domingo, dezembro 12, 2004

"EM CASO DE INCÊNDIO, UTILIZE AS ESCADAS"

Longe de mim o pretensiosismo de querer mandar postais sobre a eficácia das técnicas de combate às chamas, mas....utilizar...as escadas...? Como é lá isso? Agitando-as violentamente, será...?

terça-feira, novembro 23, 2004

Delícias natalícias...

É vox populi que macho digno desse nome só pode conhecer três nomes de bolos, sendo que mais que isso já se vai entrando nos pantanosos limites da fronteira com a panasquice. Isto, na melhor das hipóteses.
No entanto, há dois ícones do mundo da bolaria que me parecem levantar reservas muito particulares: a "farófia" e o "brigadeiro". Farófia...? Que XXXXX é essa??!! "Brigadeiro"...? Misturar fardas com bolos e marinheiros e... enfim...
Ora, feitas as contas, quem senão um monumental paneleiro (do género Torre de Belém com lantejoulas vermelhas) teria essa ideia peregrina, senhores...? Hein...?!!!

segunda-feira, novembro 08, 2004

Tenho passado os dias extremamente macambúzio, seja lá isso o que for.
Sinto-me uma personagem-tipo das letras do António Variações, obviando, evidentemente, todas as demais paneleiras conotações que daí possam advir.
Olha, "(...) só estou bem onde eu não estou e eu só quero ir onde não vou". E por aí fora. Enfim, ando armado em parvo, é o que é.
Após muita cogitação, descobri finalmente a razão de ser da minha angústia: nunca vou ter o meu "almoço da tropa". Sinto uma naifada nas entranhas, de cada vez que passa em rodapé, na "Praça da Alegria", qualquer coisa do género:

"Batalhão das Panteras do Alto Conguito vai ter almoço anual na Adega do Simões, 05/11/04 às 14h. Não faltes, camarada!!".

Agora que já trucidaram em definitivo o Serviço Efectivo Normal, já perdi as esperanças. Feitas as contas, limitei-me a engrossar o vasto contingente da Reserva Territorial.
Nunca vou ter histórias para contar, dessas que envolvem várias dúzias de homens, chuveiros e sabão-macaco aos pontapés. Sim, literalmente aos pontapés. Aliás, o objectivo é mesmo pontapear a barra de sabão, por forma a que o outro elemento se curve a cerca de 100 graus e...o apanhe. Ou. mais especificamente, apanhe com ele.
Nunca passarei as preguiçosas tardes de Agosto a recordar as aventuras do Cabo Antunes ou de qualquer outro camarada de pelotão. E...chuif, chuif...Agora com licença, que tenho que ir buscar um lenlo de papel. Já tenho "uma lágrima no canto do olho", nas imortais palavras desse excelso trovador que dá pelo nome de Bonga.


sábado, outubro 30, 2004

"NUNCA ME ENGANO E RARAMENTE TENHO DÚVIDAS"


A última vez que tentei póstare um texto, a coisa não correu lá muito bem. Já não bastava a minha exarcerbada abstinência literária, sucede ainda por cima que a minha última criação acabou por não ver a luz do dia. Não sei por que artes do demo, mas a verdade é que a dita saiu em branco. Nicles. Népias.
Na minha doce inocência, presumi que a dita prosa tinha dado entrado no hiperespaço (ou ciber, se preferirem), direitinha ao monitor dos meus fiéis prosélitos. Mas não. Ficou a meio do caminho, perdida numa qualquer área de serviço, algures na imensa Autoestrada da Informação.
Posto isto, queria esclarecer que:

1-Não, não foi de propósito.
2-Não, naõ foi mesmo de propósito
2-Não, não estou a tentar criar nada de novo.
3-Não, não foi nenhuma "pedrada no charco" literário.
4-Não, não fumo disso.
5-Não, não tenho na família pintores abstraccionistas, naif ou coisa que o valha.
6-Não, não ando a experimentar coisas novas; ou pelo menos, nada que atente contra as leis de Deus, a moral e os bons costumes.



quarta-feira, outubro 20, 2004