sábado, dezembro 10, 2005
Isso do Dakar, Camel Trophy e outras paneleirices é coisa de meninos. Aventura em estado puro é arriscar uma incursão no centro Vasco da Gama num feriado, a meia dúzia de dias do Natal. Isso sim, é para homens de barba rija.
Pois é, tive a imbecil ideia de combinar um mitingue com os meus primos nessa bendita superfície comercial. Por razões que vão compreender mais à frente, vou-me abster de revelar os seus nomes.
O grupo excursionista estava atrasado, pelo que resolvi ir ao Continente comprar qualquer coisa para comer. Até nem havia fila (pasme-se!!) pelo que foi trigo limpo. Aprochego-me da caixa e quem me calha na "menos de 15 unidades" é um jovem aí para os sub-20, a quem a acne atacou sem dó nem piedade.
O (surreal) diálogo segue dentro de momentos. Espera...o surreal monólogo segue dentro de momentos:
(caixa maltratado pela acne) - "Vai desejar saco?"
(eu ) - "Não, obrigado."
(caixa maltratado pela acne) - "Isto hoje está cheio de gajas boas!! Esteve aí uma escola, era só modelos! Tão boas!! E um gajo que não pode sair daqui!!
(eu ) - "Pois...Então...boa sorte..."
E foi assim, sem tirar nem pôr. Não vale a pena inventar histórias e teorias para alimentar o blogue: basta sair à rua.
Mas o dia ainda estava longe de acabar. Ainda a digerir o insólito episódio, dirijo-me para o local combinado para o enternecedor encontro familiar. Sei de antemão que o meu primo "X" vem acompanhado da sua nova aquisição. Descobri depois que o termo "aquisição" não estava muito da verdade...
Vejo-os aproximar lentamente, como nos filmes americanos. À frente dos dois vinha uma jovem que dava ares de alternadeira, um ou dois metros mais adiante. Dava ares, não: dava aí um ciclone tropical anónimo, três "El Niño" e meia dúzia de "Katrinas", pelo menos. Nem liguei.
Estabeleço então contacto visual com a famíliam, que prontamente estuga o passo na minha direcção. Segue-se o rosário de ternuras e mimos entre familiares de longa data:
-Olha, o cabrão do "X"!!
- Eis se não é o paneleiro do "Y"!!
E por aí fora. Paremos por aqui antes que comece a choramingar.
Chega então o momento da verdade. Eu procuro pela suposta nova aquisição do primo "X", mas à minha frente só está a tal jovem mencionada em cima. Não, não podia ser...Qualquer coisa me estava a escapar, com certeza.
"-Ah..." , diz o primo "X","...esta é a "Z"...
Bingo. Nem mais. Era ela, "a tal". Não vou dizer "The One", porque isso já seria atentado ao pudor. O putanheiro do meu primo andava então a "sair" com uma jovem que conhecera num bar da especialidade.
Fomos jantar, os quatro, ali para as bandas do Parque das Nações. O restaurante, brasileiro, para que a nossa cara conviva se sintisse em casa.
Eu que até sou um indivíduo particularmente sensível e compreensivo com a típica "conversa de gaja", fiquei particularmente deleitado com a palestra da jovem sobre astrologia. Feitas as contas era aquariana, e há muita coisa para dizer sobre os aquarianos. Muita, e extremamente interessante.
Quando os "pombinhos" se ausentaram para lavar as mãos (espero que tenha sido mesmo para isso) inquiri o restante interlocutor sobre a natureza curiosa daquela bonita relação.
"-Sim, conheceu-a num bar de alterne", confirmou-me sacudindo os ombros.
"Fofinha" para aqui, "Fofinha" para ali. E um "caralho" ocasional, para temperar. Que não faz senão mal para apimentar uma amena cavaqueira. Quando a jovem se ausentou para ir aos lavabos, o "Fofinha" transformou-se num sonoro "esta puta" enquanto o diabo esfrega um olho. A extraordinária metamorfose aconteceu mais uma vez: "Então, Fofinha", demoraste tanto...?"
Durante o jantar a jovem atende para cima de meia dúzia de chamadas. Curiosamente, todas de homens. O meu primo pagou o jantar à rapariga, claro está. E segundo me foi dado a conhecer, o mesmo tem acontecido com grande frequência.
Menos mal: a picanha estava uma maravilha.
Já de regresso ao carro, o telemóvel da jovem tocou mais uma ver. Pasme-se, era outro gajo...!!! O meu primo passeava então a rosa que oferecera, prova do seu romantismo inquestionável. Os seguintes 20 minutos foram algo de particularmente delicioso: o meu primo ponderava as várias possíveis utilizações a dar ao "caralho da rosa", enquanto a sua "amada" ia animadamente dando música ao telefone.
Eu lá fui para o parque buscar o carro, e sei que a chamada continuou. Até quando, não sei. E pronto, foi assim que passei uma parte do feriado. Religioso, por sinal.
domingo, dezembro 04, 2005
Dizia-me uma querida amiga que "Não interessa o tamanho da varinha, mas sim a sua magia".
Ora bolas! Quer dizer que de nada me vale carregar na virilha esta desmesuradamente avantajada dádiva celeste, mesmo considerando o padrão africano.
Vou ter que falar com o Luis de Matos, sendo assim.
domingo, novembro 27, 2005
Ontem à noite houve jantarada do trabalho, estando presentes dignos membros do corpo expedicionário à já lendária Punhete. Mas isso agora não interessa. Essencialmente, atiraram-me às trombas o facto de andar a desmazelar vergonhosamente a minha actividade publicista. E com razão, diga-se, pelo que resolvi fazer qualquer coisa quanto a isso.
Por obra do acaso, dei por mim a mirar uma ficha de trabalho de Biologia do 12º ano, coisas do meu irmão mais novo (o famoso "Fofinho", já referido em postada anterior). Sucede que a referida ficha tratava da problemática dos genes, cruzamentos e coisas do género. Leigo que sou, dei por mim a adivinhar sobre a resposta a uma ou duas das questões ali aventadas.
Havia ali uma desconfortável pontinha de eugenia recalcada, nas perguntas que inquiriam sobre o resultado do cruzamento entre "mulher portadora de hemofilia e sem raquitismo casar com um homem não hemofílico mas com raquitismo, que probabilidade têm de vir a ter?
- filhas com raquitismo vitamínico-resistente, mas não hemofílicas
- filhas com raquitismo vitamínico-resistente, e hemofílicas
- filhas normais para as duas características
- filhos com raquitismo vitamínico-resistente, e hemofílicos
- filhos sem raquitismo vitamínico-resistente, e hemofílicos
- filhos normais para as duas características
Não faço ideia. Acho que era melhor mas é adoptarem um cachopo ou dois e ponto final.
Resolvi então procurar um problema um pouquinho mais simples. Afinal de contas, não é preciso saber muito da matéria que se tem em mãos: basta saber contornar o problema e evitar qualquer espécie de objectividade na resposta. Aprendi isso com o engenheiro Guterres há algumas legislaturas atrás.
Isto vai lá com um bocadinho de bom senso e uma pitada de intuição masculina, pensei eu. Não pode ser assim tão difícil. Vejamos:
"Se cruzássemos rabanetes ovais com rabanetes redondos, qual seria a proporção fenotípica esperada na descendência?"
R: Isso não interessa nada. O distinto rabanete oval é por demais mal empregue para qualquer flausina redonda e roliça, como toda a gente sabe. Esse tal do fenótipo que meta o rabanete redondo...
quarta-feira, outubro 26, 2005
Descobri recentemente que a Alemanha é o país da Europa onde existe menos actividade do foro horizontal: então não é que pelo simples afogar de meia dúzia de gansos numa terreola qualquer, isso salta logo para as primeiras páginas, como se fosse o fim do mundo..??!!
Volta, Tomás, estás perdoado.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Sábado passado rumei a Constância, integrado num grupo excursionista lá do trabalho.
Uma das referências da simpática vila é a ligação a Camões, onde, rezam as trovas, se perdeu de amores por uma cachopa lá da terra. Até aqui, nada de mais: o gajo inventava uma nova paixão de cada vez que ia mijar. Tudo bem, é pacífico.
Já não me lembro do nome da jovem, o que interessa é que a coisa deu azo a versalhada camoniana e afins, ligando eternamente aquelas paragens ao nosso zarolho de estimação.
Inscritas na estátua do Poeta, com uma agradável vista para o rio, podem ler-se uma catrefada de datas marcantes da sua biografia e da história da vila. Pois então, toca de ler aquilo com grande atenção, até porque estava a decorrer um jogo com pistas e perguntas, pelo que convinha não perder o fio à meada.
Sucedeu no entanto que, no meio de tanta preciosa informação, houve uma jóia reluzente que saltou à vista dos meus doutos companheiros de jornada: Constância, outrora Punhete.
Sim, isso mesmo que estão a ler: até 1836 era esse o nome da terra.
A partir daí, o bucólico banho cultural descambou completamente num furioso tornado de piadas e trocadilhos temáticos: passámos pelo "Punhete F.C", pela Associação dos Caçadores Punheteiros, pela escola de samba "Unidos de Punhete", ou mesmo pelo grupo de apoio social local "Dá a Mão a Punhete!"...
Pois é, caro leitor, não terá sido no Oriente que o Poeta cegou o olho: foi à beira-tejo, num trágico acidente, a escamar o besugo. Zarolho, só depois de Punhete.
segunda-feira, outubro 17, 2005
Depois daquela do "Envia exta sms para 10 amigos 91", eis senão quando sou assediado por mais uma pérola do mesmo calibre, desta feita por e-mail.
Sucede que sou diariamente bombardeado com um mail onde aparece uma infeliz criança queimada onde, pasme-se, por cada Fw: daquela tanga reverteriam 3 cêntimos para ajudar a pobre criatura.
O mais grave é que a grande maioria dos meus amigos que mandam isto chega a ter mais que a 4º classe! Dá para acreditar...?
Os meus contactos já deviam saber o tratamento que dou a toda e qualquer corrente, particularmente se incluir cãezinhos ou gatinhos: lixo com ela.
Lixo, não: eu reciclo. Sou um gajo amigo do ambiente.
sexta-feira, outubro 14, 2005
quinta-feira, outubro 13, 2005
A minha afilhada enviou-me hoje esta mensagem escrita para o telemóvel:
"Envia exta SMS para 10 amigos 91 e ganha 10:00"
Quatro breves notas:
- a minha afilhada tem mais de 7 anos de idade; na verdade, tem quase 30, pois é afilhada de casamento
- a pita que criou esta corrente nem se deu ao trabalho de escrever "esta" como deve ser, para, pelo menos, tentar dar alguma credibilidade à coisa
- "ganha 10:00"...? Bem, para um gajo à espera da chamada milagrosa no "corredor da morte", até é capaz de dar jeito...
- as pessoas que vão nesta cantiga também acreditam que o Bibi está inocente, que a Fátima Felgueiras vai ser canonizada e que o Castelo Branco mija de pé
quarta-feira, outubro 12, 2005
Hoje foi um daqueles dias, um desses que aparece no dicionário como frontispício da definição de "dia de bosta". Mas isso fica para outra jornada.
Estava eu a queixar-me da arbitrariedade errática do Cosmos (em geral) e das miúdas (em particular) quando me deparei com a lista de pesquisas que me vieram calhar ao "Park" nos últimos dias. Pus-me então a pensar no perfil das aves raras que, efectivamente, quiseram procurar informação sobre aqueles temas. Vejamos:
- "tony carreira gay" (paneleiro à caça)
- "como tirar calosidades dos pés" (não quero comentar)
- "letras da Tonicha" (saudosistas dos loucos anos eitis)
- "tudo sobre o burro mirandês" (paneleiro à procura de caça grossa)
- "a vida de tony carreira" (mulher com bigode farfalhudo e acesso à Net)
- "rede tuning" (bimbo clássico)
- "subaru picanços" (bimbo que almeja subir na hierarquia)
- "corridas+picanços" (bimbo clássico sem grandes ambições)
- "como acontece o acasalamento de cobras" (fetichista exótico)
- "Batatoon porrada" (amigo do peito do fetichista exótico)
Já me sinto muito melhor.
domingo, outubro 09, 2005
Vi hoje no "2010" uma reportagem sobre os "World Cyber Games", a decorrer no Estádio do Dragão. Uma competição à séria, com o fim de apurar os representantes portugueses para o circuito mundial dessa espécie de jogos.
Uma das atracções foi um "macho-alfa" sueco, que, rezam as crónicas, nunca foi batido num jogo qualquer que é a sua especialidade. Uma coisa importante, obviamente.
Ao mesmo tempo, no mesmo local, com os mesmos indivíduos, a organização esforçou-se por reunir gente suficiente para tentar bater um recorde do Guiness, na categoria "Maior Concentração de Punheteiros Adeptos do Futebol Clube do Porto por Metro Quadrado".
Foi por uma nesga. Raisparta...Tentam outra vez na próxima jornada, contra o Glorioso, já com o estádio cheio.
domingo, outubro 02, 2005
Na minha humilde opinião, a publicidade da TMN nunca foi grande coisa.
Como exemplo acabado, anúncio do "Mimo" sempre me suscitou uma grande vontade de pontapear aquela personagem ridícula da camisolita azul e branca, muito mais do que levar-me a adquirir "tijolo" que era o telemóvel típico naquela altura.
A coisa não melhorou com o tempo, infelizmente.
Recordo-me mais recentemente de um dos anúncios mais estúpidos da história da publicidade: "Maré de preços baixos", onde um mergulhador completamente artilhado passeava alegremente com a água pelos tornozelos. De levar às lágrimas.
Safou-se a penúltima campanha com o gajo da rasta. Giro, esse.
Agora, esta miserável campanha por trás da mudança de imagem...Dasse!!!
Achei um bocado estranho quando vi todos os jornais do dia com a capa azul. "Deve ser o "Dia Mundial de Qualquer Coisa", pensei cá para comigo. Quando o assunto veio à baila na hora do café, um colega lá fez o favor de esclarecer esta alma ignorante, explicando-me que era a nova imagem da TMN: um "T" foleiro a, presumivelmente, fazer lembrar uma figura humana de braços abertos. Fraquinho!!! O fundo "azul-Barclays" não tem nada de original e o "Têzito" faz lembrar aquele primeiro projecto do logo para o Euro, que demorou cerca de três minutos a criar...
Que raio de ideia foi essa do "Gostamos da vida como ela é"? Não gostamos nada, pôrra!!! Eu não quero ir para o trabalho e ver todos os dias um gajo qualquer de calças pelos tornozelos, a arrear o calhau: "Gostamos de comida indiana"!!! Que raio de ideia foi esta!!!????
Outra pérola é esse do "Gostamos de fotos desfocadas": basicamente, mostra um par de matrafonas (pesando 10 arrobas/cada) divertindo-se à grande enquanto dão um pézinho de dança. Então, pá!!!?? Tá tudo parvo, ou quê???!!! E as miúdas giras, que é delas!!!
Concludindo, para ver mulheres gordas e malfeitonas, já tenho a vida real. Não preciso que a TMN as exiba sem pudor nas paragens de autocarro.
domingo, julho 17, 2005
Numa destas noites de passeio pela capital, dei comigo e com o resto da comitiva a analisar mais um capítulo da "Guerra dos Cartazes" lisboeta. Neste episódio particular, o Capitão Luke Carmona diz-nos que vai deitar "Mãos à obra", de manga direita arregaçada e olhar de homem decidido a agir, como se de um anúncio a "after-shave" se tratasse.
"Mãos à obra", mas para fazer o quê? A peculiar pose do edil só levanta três hipóteses:
a) vai enfrentar o Lado Esquerdo da Força com o próprio punho
a) vai ajudar uma vaca a parir
b) vai doar meia dúzia de gotas do seu património genético a um Banco da especialidade.
Seja como for, é de homem.
Beijos para a fiel leitora M.S., companheira nesta e noutras tantas reflexões importantes.
terça-feira, julho 12, 2005
Não há nada mais arreliante que um passatempo. Que o diga o meu amigo "Joel". Chamemos-lhe "Joel", para não ser identificado na rua, ok?
Aconteceu que no cafézinho pós-almoço dominical foram lançados para a mesa meia dúzia de enigmas numéricos, desses de fazer torrar a paciência a, quem como eu, tem a capacidade para raciocínio abstracto de um siamês. Dos mais lerdos.
O problema consistia no seguinte:
Temos nove bolas em jogo, sendo que uma delas é mais pesada que todas as restantes. Podemos fazer duas pesagens (numa balança à antiga, com dois pratos). Qual é a mais pesada?
Sem mais demoras, a solução passa por dividirmos as bolas em TRÊS grupos de TRÊS bolas e começar a partir daí, três a três na primeira pesagem.
O meu amigo "Joel" (por sinal, ilustre professor universitário) deitou logo mente à obra e avançou sem temor para o primeiro obstáculo:
"-Isto é muito simples" - afirmou com a convicção e autoridade próprias de um soldado da GNR de Albufeira a entrar na adega de um empreiteiro.
"Pomos QUATRO num prato e QUATRO no outro e sobra uma" - continuou. "Se os pratos estiverem equilibrados, a que ficou de fora é a mais pesada, obviamente."
Pois...até aqui, todos de acordo. A história continua. O nosso "Joel" vai entretanto articulando raciocínios cada vez mais elaborados:
"Estamos perante um logaritmo de base 2" -continuou maravilhando as massas boquiabertas. "Isto seria verdade, se estivéssemos a trabalhar com linguagem binária" - acrescentou ainda com inequívoca propriedade.
Porém, como peixe apanhado na rede, o seu esforço é vão. Debate-se furiosamente na malha do seu raciocínio, como se de um tubarão encurralado se tratasse. Tentou, à desgarrada, bombardear o problema com quilos de teoremas, corolários e axiomas, como se de uma Amália regressada do Além se tratasse, inexplicavelmente possuída por uma vontade louca de fazer contas de cabeça.
A coisa foi-se arrastando, de forma agonizante, até que um dos intervenientes ventilou acidentalmente a resposta, dando por terminada a querela. Mas a coisa não ficou por aqui. Seguiu-se outro problem, sucedendo que o nosso herói resolveu embirrar com o enunciado do problema, desta feita exigindo uma clarificação sobre o significado do verbo "mexer".
Depois de meia dúzia de tentativas de resolução, exclama já com o rosto já rubro:
"-Tens a certeza que o enunciado está bem? Isto não pode ser assim!". Mas podia. E era.
No seguimento deste episódio, fecho a postada com uma tira do "Calvin": acampando com a família nas férias, o jovem passa todo o dia a arreliar os pais com questões irrelevantes, enquanto estes tentam, em vão, pintar um quadro, ou, simplesmente, ler o jornal em paz e sossego.
"-Desaparece, Calvin!!" - vocifera a mãe, já completamente farta das interrupções constantes.
Conclui o jovem no alto da sua sabedoria:
"Os passatempos deixam os adultos muito nervosos".
Está visto que é verdade.
domingo, julho 03, 2005
Aproveitando a minha inesperada visita ao consultório, a médica de família aproveitou para me mandar testar todos e mais alguns dos mais longínquos recantos do corpo. Quer dizer, todos, não: há por aí mundos remotos onde não tem nada que entrar sonda, seja espacial, ou de outro tipo qualquer...
Em abono da verdade, já não metia lá os pés fazia um certo tempo. Falámos de tudo e mais alguma coisa que se passou neste longo interregno: a queda do Muro de Berlim, o tempo em que o Herman tinha piada e ainda se esforçava por disfarçar a panasquice, a barba do Jorge Coelho, etc, etc, etc... Enfim, coisas que já lá vão.
Abandonei o consultório munido de duas resmas de papel verde-e-branco. Estavam ali acotoveladas credenciais que me permitiam saber novas dos meus colesteróis, verificar a minha reacção à não-sei-quantos-tropina e adquirir parcelas de terreno em Marte a preços módicos.
A meio destes Doze Trabalhos, saiu-me na rifa o mítico Electrocardiograma.
Nunca me tinha sujeitado a semelhante coisa, pelo que a expectativa era grande. Já me estava a ver rodeado de coisas obscuras como um "monitor de sinais vitais", ecrãs LCD nas paredes com fios de várias cores e feitios. Esmagado pelo manancial tecnológico disposto na sala, seria então ligado dos pés à cabeça com eléctrodos e seguidamente amarrado por duas enfermeiras nórdicas insaciáveis que...´pera lá, já estou a misturar as histórias, é o que é.
Estava eu a dizer que imaginava uma enfermeira, que, num tom de voz quente e meigo, fazia os possíveis para me acalmar e preparar para uma experiência capaz de fazer tremer qualquer marujo de barba rija.
Isso imaginava eu. Eis o que realmente aconteceu:
Uma senhora bestialmente apessoada (coisa aí para 10 arrobas, mais ou menos) e mal encarada fez-me meia dúzia de perguntas, mandou-me despir da cintura para cima e deitar-me numa marquesa, de peito virado para o tecto. Espetou-me meia dúzia de ventosas embebidas em gel pelo peito acima, pôs-me uma espécie de molas da roupa XL nos pés e...acabou. Passados 30 segundos, a nossa relação terminou.
"-Tem papel na mesa, se quiser limpar isso..." - disse ela sem pontinha de sentimento na voz.
Levantei-me, limpei a substância viscosa que me besuntava o torso e vesti timidamente o farrapito que havia trazido. Apercebi-me que fora apenas mais um naquela marquesa. E nem sequer um beijo levei.
A vida segue dentro de momentos.
quarta-feira, junho 29, 2005
Fiz nestes dias uma incursão nocturna pelas Docas. Miserável, o ratio “Nº de Miúda Giras / Total de Miúdas”. A culpa é das americanas gordas, dão cabo da mais bem intencionada média aritmética…
Enfim, lamuriava-me eu aos céus em triste ladaínha, pesaroso pela minha pouca sorte. Muito pouca, mesmo, até porque toda a gente a sabe o que acontece às vozes de burro que apontam ao alto. Adiante.
De súbito, algo inesperado aconteceu: vi a Princesa Diana. Tinha de ser ela: a tiara inconfundível ofuscava como um farol na cinzentona noite lisboeta, carregada de ingleses enresinados e brasileiras daquele género que deixam um gajo na dúvida, se é suposto pagar, ou não.
Não me atrevi a dirigir-lhe a palavra, como essa gorda repelente que se despe nos programas do Herman e que é a verdadeira causa de impotência sexual entre os homens portugueses. Nada disso. Ainda de olhos semi-cerrados pela luz ofuscante, resolvi ganhar coragem e aproximar-me lentamente.
“Estarei doido? Estarei ébrio? Serei parvo…?” – pensei para os meus botões. "Muito provavelmente, um bocadinho de cada."
Tinha que lhe tocar. Tinha que ser. Senti-me como mosca esvoaçando alegremente rumo à electrocussão iminente, inebriada pelo azul desses grelhadores de insectos que habitam os tectos dos cafés. A LUZ!!! A LUZ!!! Aquela luz inebriante clamava por mim: “Toca-me!! Leva-me!!!” Senti um arrepio na espinha, à medida que passava os dedos por aquele estranho objecto. Que sensação indefinível: parecia...plástico...?
Po fim, o feitiço quebrou-se: envolvendo o enigmático adorno estava um quarteirão de luzinhas “à bimbo”, típicas da noite lisboeta. O “quefrô” que a tinha na cabeça olhou para mim desconfiado, como quem diz:
“-Será que este paneleiro me vai apenas apalpar, ou sempre compra a merda da tiara…?”
domingo, junho 19, 2005
quinta-feira, junho 16, 2005
segunda-feira, junho 13, 2005
sábado, junho 11, 2005
Inspirei-me nas 59 condecorações entregues pelo Presidente Sampaio e resolvi seguir-lhe o exemplo. Aqui ficam os "Prémios do Parque - 10 de Junho de 2005", baseados na secção "Convívio" dos Classificados do "Correio da Manhã":
Prémio "Fontes de Energia Alternativa"
Travesti Blenia Algés 23 anos, Turbinada, novidade. Completa, desinibida. Tm:969286699
Prémio "Maior número de anglicismos relacionados com putedo no espaço de duas linhas"
· Domina!!! Bondage/ Footfitche/ Tranformismo/ Dogtraining/ Facesitting/ Trampling +Submissa!!! http://mestraadriana.tripod.com, 96-3553742
Prémio "Maior Aldrabão de Todos os Tempos"
Prémio "Fetichismo muito específico"
Hyundai H1 com contentor ano 09/2001 È962656506
Prémio "Mensagem lamechas, dessas que passam em rodapé na Praça da Alegria"
· IC 19... Sou mulher... liga-me... não te arrependerás... Tm.96-4805485
Vá lá, dá-lhe uma oportunidade, caro amigo IC19. Ela ama-te.
terça-feira, junho 07, 2005
Tenho cá por casa um "Fofinho". "Tá bem, pá. E o que é lá isso? É uma cena gay...?" - pergunta o caro leitor com comprensível preocupação. Nada disso, um "Fofinho" é apenas um adolescente cobardemente atraiçoado pelos efeitos da Primavera.
Esta peculiar criatura vive num habitat muito específico, limitado-se a calcorrear nervosamente um círculo com centro no telefone do agregado familiar e diâmetro de cerca de 2 metros.
Animal governado por instintos básicos, desenvolveu o curioso reflexo de fechar a porta da cozinha, sempre que ouve tocar a sineta do telefone. Inesperadamente, ocorre uma estranha metamorfose: o "Fofinho" passa de borboleta pairadora para falcão assassino, despenhando-se sobre o aparelho como se não houvesse amanhã.
Ocorre então outro fenómeno nada menos extraordinário: um mastodonte com 1,80 m, bigode farfalhudo e quatro palmos entre ombros é brutalmente atacado por uma estranha virose, cambiando o seu normal tom de voz para um registo desmesuradamente enrabichado, desses que faria o Castelo Branco parecer um trolha de Famalicão, acabadinho de frequentar o putedo local.
Este "colibri de sala de estar" não necessita de comer, na vulgar acepção da palavra: ele alimenta-se de "carinhos fofinhos", "beijinhos repenicados", "miminhos apertadinhos" e todos os demais subprodutos eventualmente suportados pela linha telefónica.
A linguagem usada por este mamífero é qualquer coisa de extremamente rudimentar, recorrendo sumariamente a três expressões-chave ("Não", "Eu é que gosto mais!" e "Fofinha") que vai usando e recombinando ciclicamente: "Eu é que gosto mais!", "Não, eu é que gosto mais!!", "Não, não , não, eu é que gosto mais!!!" ou mesmo "Não, não, não, não, não! Fofinha, eu é que gosto mais!!!!".
E pronto, foi o "Momento Discovery" cá do Parque.
segunda-feira, junho 06, 2005
Anões
Ultimamente, têm-me acontecido as coisas mais incríveis. Ainda assim, não estava convenientemente preparado para o que me esperava ao virar da esquina, perto do gulag onde trabalho. Portugueses e portuguesas: um jantar de anões. Nem mais, nem menos, um simpático jantar/confraternização, daqueles a fazer lembrar o convívio anual das Panteras Sanguinárias do Alto Manhongo, só que sem a parte dos traumas de guerra e das tatuagens com juras de amor eterno, à mãezinha ou à doce Lucinda na distante Vila Nova de Cerveira.
Visto de fora, pelo menos, a coisa parecia animada. E ainda bem. A malta de todos os tamanhos tem que se reproduzir. Olhei alguns segundos para aquele fenómeno e pus-me a andar, tentando não dar muita bandeira. Já dentro do veículo, comecei então a digerir aquele insólito episódio.
Na verdade, segundo as regras do politicamente correcto, não parece nada bem gozar com estas coisas. Porque sou um gajo educado, resolvi precaver o leitor para certo tipo de frases "assassinas" que certamente o porão na lista negra de entidades como a "Sociedade dos Amigos das Pessoas a Baixa Altitude", forrada do chão até ao tecto com posters da idade de ouro do Pequeno Saúl, isto é, quando ainda era pequeno. Entre os mais desagradáveis conversation-stoppers, destaco as seguintes pérolas:
"-Tudo em cima?"
"-Então, como é isso de ter 30 anos e vestir-se na Cenoura?"
"-Faltou-te um bocadinho assim..."
E depois não venham cá dizer que o Parque só serve para gozar. Está provado que me preocupo com as minorias. "Minorias" é, realmente, um termo muito apropriado.
Bidés
Outra coisa muito mais importante que estas palermices: parabéns ao amigo Bidé, que esteve ontem a apresentar as suas "Leituras de casa de banho" na Feira do Livro. A não perder, na FNAC.
Outras histórias do arco da velha
Ficam para a próxima postada, num Parque perto de si.
domingo, fevereiro 27, 2005
OLHAR BEM PENETRANTE…
Voltando a Imprimatur -O Segredo do Papa, segue o segundo e último simpático excerto. Nesta breve passagem, vamos encontrar o aprendiz de estalajadeiro em amena cavaqueira com o abade Atto Melani, este último desancando forte e feio na imagem até então impoluta da Rainha de França:
“-Monacal? –disse Atto, por fim – Eu não usaria esse termo – retorquiu manhosamente. E explicou-me que Devizé me tinha descrito um quadro talvez demasiado imaculado da defunta Rainha de França. Em Versalhes, ainda era possível encontrar uma jovem rapariga mulata, que se assemelhava curiosamente ao Delfim. A explicação de tal prodígio remontava a vinte anos atrás, quando os Embaixadores de um Estado Africano tinham ficado alojados na Corte. Para manifestar a sua devoção à consorte de Luís XIV, os Embaixadores tinham doado à Rainha um pajem preto de nome Nabo.
Alguns meses mais tarde, em 1644, Maria Teresa deu à luz uma menina forte e graciosa de pele preta. Assim que se deu o prodígio, Félix o cirurgião real, jurou ao Rei que a cor da recém-nascida era um inconveniente transitório, devido à congestão do parto. Com o passar dos dias, porém, a pele da menina não ficou mais clara. O cirurgião real disse então que talvez os olhares demasiado insistentes de algum preto da corte tivessem danificado a gravidez da Rainha. «Um olhar» replicara o Rei.
sábado, fevereiro 05, 2005
domingo, janeiro 30, 2005
TIRO NO PÉ
sábado, janeiro 22, 2005
Tenho andado entretido com os livros que me ofereceram no Natal, fiéis companheiros na minha diária peregrinação Mem Martins-Entrecampos-Anjos-e-volta-pelo-mesmo-caminho. Todos eles "best seller", fábulas em volta de supostos segredos do Vaticano, conspirações, sociedades secretas e a vida sexual do Alexandre Frota*. Enfim, o trivial, não é verdade?
Pois bem, depois de despachar o "Código da Vinci" resolvi então passar ao segundo round: "Imprimatur - O Segredo do Papa". A coisa passa-se na Itália (ou projecto dela) de 1683, numa simpática estalagem onde anda tudo a morrer de peste, veneno, doenças venéreas, etc. Depois de soar o pretenso alarme da peste, a bófia local (os homens do bargello) tratou rapidamente de emparedar os pensioneiros até a coisa acalmar. Que é como quem diz, morram todos aí dentro, que não fazem falta nenhuma cá fora. E por cá ainda se queixam da prisão preventiva, vá-se lá saber...
Entre as pitorescas personagens da pensão, o diálogo que vou passar a citar tem lugar entre Cristofano (o médico de Siena) e o estalajadeiro-aprendiz, um jovem que tem o sonho de vir a ser gazeteiro e como bónus, comer desalmadamente Cloridia, a cortesã (ou a puta lá do sítio, se preferirem) que foi apanhada no meio da trama. Depois de avistarem uma miríade de ratos mortos esvaídos em sangue no chão, o médico exibe com doçura paternal toda a sua irrefutável sapiência nos seguintes termos:
"(...) - Meu pobre rapaz, os ratos são os primeiros empestados. Hipócrates recomendava que não se lhes tocasse e do mesmo parecer foram Aristóteles, Plínio e Avicena. O geógrafo Estrabão refere que, no período romano, era bem conhecido o funesto significado do aparecimento nas ruas de ratos doentes, antecipando uma epidemia, e recorda que em Itália e Espanha eram dados prémios a quem matasse o maior número. No Antigo Testamento, os Filisteus, atormentados por um ferocíssima pestilência que afligia as partes traseiras, fazendo sair pelo ânus os intestinos putrefactos, notaram que os campos e as aldeias tinham sido invadidos por ratos. Interrogaram, então, os adivinhos e os sacerdotes, que responderam que os ratos tinham devastado a terra e era necessário ofertar ao Deus de Israel, para lhe placar o desprezo, um ex-voto com o desenho de ânus e de ratos. O próprio Apolo, divindade que causava a peste, quando se sentia irada e que atirava quando se acalmava, era chamado na Grécia, Esminteu, ou seja, matador de ratos. E, com efeito, na Ilíada, é Apolo Esminteu quem trucida com a peste os Aqueus que sitiam Tróia. E também Esculápio, durante as epidemias de peste, era represntado com um rato morto a seus pés.
- Mas, então os ratos provocam a peste! - exclamei pensando horrorizado nos ratos mortos que tinha visto na noite anterior nos subterrâneos.
- Calma rapaz. Não foi isso que eu disse. Aquilo que te acabo de expôr são apenas convicções dos antigos. Felizmente, estamos em 1683 e a moderna ciência médica fez enormes progressos. A vil ratazana não provoca a peste, que pelo contrário...como já tive ocasião de te dizer, é causada pela corrupção dos humores naturais, e, primeiramente, pela ira do Senhor Deus.*"
E então, o que é que vos suscita esta pérola? Na próxima postada há mais um delicioso trecho de "Imprimatur - o Segredo do Papa". Com o meu ritmo de postagem, deve ser lá para a Páscoa, pouco menos...
* É mentira essa do livro do Frota: comprei-o beeeem depois do Natal.
**O negrito fui eu que fiz, e não o senhor que escreveu o livro.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Tenho recebido amiúde um e-mail mariconço sobre a nostalgia dos anos 80, a falar de uma porrada de picolhices avulsas. O "Marco" que se lixe e vá mas é pastar mais o macaco. Tenha cuidado, porém, porque já diz o povo em toda a sua sabedoria: "A brincar, a brincar, foi o macaco..." Olha, fiz uma rima. Assim sendo, apeteceu-me ripostar com a minha versão dos anos 80. Uma pequena amostra, neste caso.
Há qualquer coisa de muito zen no comércio tradicional. Será o enigmático buço da proprietária? Será o caleidoscópio cambiante das nódoas na bata? Enfim, é uma aventura em cada esquina, isso é que é.
Mas hoje quero que vá pastar o joio do comércio tradicional (e aproveite, leve o Marco e o macaquito atrás), porque esta missiva pretende prestar especificamente homenagem à Meca do pronto-a-vestir dos subúrbios, a Jerusalém dos "jogos de cama", senhoras e senhores: "São&Costa".
Na verdade, muito antes de sonhar sequer com o glamour próprio da Zara do Cascaishopping, aacontece que fui desde tenra idade peregrino do verdadeiro santuário do prêt-a-porter , essa enigmática Compostela dos textêis do Vale do Ave que é a nossa "São&Costa".
Mais do que um simples estabelecimento comercial, "São&Costa" é um estado de espírito. Resulta neste caso concreto que esse tal espírito se lembrou de incorporar uma simpática e patusca quitanda do têxtil, onde a minha santa mãezinha tratava de vestir os seus dois rebentos (quando era para comprar uma "coisa boa") sempre sob a supervisão atenta da dona da loja, a Dona São. Ou melhor,"Dona Xão", já que a xenhôra fala axim.
Estou a reportar-me aos tempos tenebrosos da roupa que não condizia, onde o rôxo dava bem com o verde e uma imaculada meia branca de renda ficava muito bem a qualquer criancinha em idade escolar. E quando não ficava bem, a mãe tratava de lhe explicar que ficava mesmo. Caso ela concordasse, ou não. Estávamos pois na Idade Média do vestuário, chamemos-lhe assim.
Sucede pois que a dona da loja tinha uma espécie de lema que saltava como uma mola, sempre que eu (ou o outro pouco afortunado irmão) experimentávamos uma pecita de roupa:
-"Ai, dona Xão, ichto beste tõe bem..." (a minha mãe também é São)
Invariavelmente, o comentário era este. Para aquela santa senhora, tanto fazia que se tratasse de uma camisa como um par de cuecas "à velha": qualquer trapinho ficava aquelas martirizadas crianças. E enquanto nos submetíamos à prova da indumentária, tratávamos de apreciar com o olhar encantado que é próprio da infância toda aquela profusão de infindáveis galerias de camisas verde/amarelo, calças bordeaux e roupa interior para homem e senhora. Que bonito, pensava eu na minha doce ingenuidade. No entanto, sempre torci o nariz às sinistras embalagens de roupa interior para homem, onde aparecia sempre um marmanjão a coçar os mamilos (ou pior...) numa pose pretensamente sexy, mas que só devia surtir efeito no meio de um chá das 5 na Opus Gay.
Mas o tempo não perdoa e, assim que começou a aparecer um dinheirito, a família foi lentamente votando o espartano estabelecimento ao abandono. A minha mãe ainda deixa escapar um certo saudosismo daquela roupa, mas essa é maleita que acho nem o tempo consegue curar. Aquilo parou no tempo, não renovaram os desenhos, as cores, os cortes. Está condenada a durar até ao fim da anterior geração, porque esta mija-se a rir ao ver a montra.
Mas se for para falar de paragens no tempo, teria que dedicar uma ode inteira aos "Armazéns Gatuxa", a loja onde se veste todo o marciano janota que se preze. Sim, porque aquela roupa não é deste mundo. Não pode.
terça-feira, janeiro 04, 2005
Num desses dias de azáfama consumista pré-natalícia lá acabei por cometer o erro imperdoável da praxe: fui ao Colombo. Isso mesmo. Por esta altura já está o fiel leitor com um sorriso trocista nos lábios, enquanto confidencia aos seus botões: "Colombo? No Natal? Que grande besta!!". E com toda a razão, diga-se. Mas olha, ajoelhei e lá tive de rezar; é como quem diz: esperei feito asno pela última semana e tive que levar com ele. O Colombo. Tudo isto porque nesse tal antro dei de caras com duas almas que -mais ou menos, lá vão aparecendo na televisão: o Adelino Granja e aquela miúda gira do júri dos Ídolos.
A miúda só é gira nos Ídolos. Mal vestida, pouco penteada, sem base, a jovem nem por sombras me levava ao altar. Ah, não. Um decepção, foi o que foi.
Quanto ao senhor Adelino Granja...pasme o caro leitor, mas a criatura é feia, mesmo feia. Quase faria desconfiar que a Odete Santos teve um affairzito com o Emplastro. Ou com o Adamastor. Ou com um abutre, peculiar que é o nariz do senhor.
E pronto, agora vou morder a língua e cair redondo no chão. Bem feito.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
"Eh, Daniela...agora não dá..."
Dito isto, o grande rabeta encolhe os ombros e fecha a porta à pobrezita, que para casa lá voltou num pranto inconsolável e envolta nas suas diminutas vestes. Vá lá que não fazia frio, pois aí maior seria ainda o crime desse algoz da barba de uma semana.
Moral do anúncio: Jovem de hábitos higiénicos dúbios, tu que gostas mais de beber uma Sagres do que martelar desalmadamente uma loura boa todos os dias...olha, aproveita para escamar o besugo com a mão que ficou livre.
domingo, dezembro 19, 2004
Dediquei uma parte da tarde de hoje a limpar o lixo acumulado na minha pobre e abandonada caixa do correio. Três ideias a reter:
- às carraças do Grupo dos Amigos de Olivença agradeço os votos de boas festas
- a um tal de Mike que me quer vender medicamentos sem necessidade de receita médica, fico grato pela intenção
- a uma freguesa chamada Sue que gentilmente me propõe um "penis enlargement"...bem...por estas e por outras vou mas é pôr um livro de reclamações à cabeceira. Mais do que nunca, o cliente tem sempre razão.
domingo, dezembro 12, 2004
terça-feira, novembro 23, 2004
É vox populi que macho digno desse nome só pode conhecer três nomes de bolos, sendo que mais que isso já se vai entrando nos pantanosos limites da fronteira com a panasquice. Isto, na melhor das hipóteses.
No entanto, há dois ícones do mundo da bolaria que me parecem levantar reservas muito particulares: a "farófia" e o "brigadeiro". Farófia...? Que XXXXX é essa??!! "Brigadeiro"...? Misturar fardas com bolos e marinheiros e... enfim...
Ora, feitas as contas, quem senão um monumental paneleiro (do género Torre de Belém com lantejoulas vermelhas) teria essa ideia peregrina, senhores...? Hein...?!!!
segunda-feira, novembro 08, 2004
Sinto-me uma personagem-tipo das letras do António Variações, obviando, evidentemente, todas as demais paneleiras conotações que daí possam advir.
Olha, "(...) só estou bem onde eu não estou e eu só quero ir onde não vou". E por aí fora. Enfim, ando armado em parvo, é o que é.
Após muita cogitação, descobri finalmente a razão de ser da minha angústia: nunca vou ter o meu "almoço da tropa". Sinto uma naifada nas entranhas, de cada vez que passa em rodapé, na "Praça da Alegria", qualquer coisa do género:
"Batalhão das Panteras do Alto Conguito vai ter almoço anual na Adega do Simões, 05/11/04 às 14h. Não faltes, camarada!!".
Agora que já trucidaram em definitivo o Serviço Efectivo Normal, já perdi as esperanças. Feitas as contas, limitei-me a engrossar o vasto contingente da Reserva Territorial.
Nunca vou ter histórias para contar, dessas que envolvem várias dúzias de homens, chuveiros e sabão-macaco aos pontapés. Sim, literalmente aos pontapés. Aliás, o objectivo é mesmo pontapear a barra de sabão, por forma a que o outro elemento se curve a cerca de 100 graus e...o apanhe. Ou. mais especificamente, apanhe com ele.
Nunca passarei as preguiçosas tardes de Agosto a recordar as aventuras do Cabo Antunes ou de qualquer outro camarada de pelotão. E...chuif, chuif...Agora com licença, que tenho que ir buscar um lenlo de papel. Já tenho "uma lágrima no canto do olho", nas imortais palavras desse excelso trovador que dá pelo nome de Bonga.
sábado, outubro 30, 2004
A última vez que tentei póstare um texto, a coisa não correu lá muito bem. Já não bastava a minha exarcerbada abstinência literária, sucede ainda por cima que a minha última criação acabou por não ver a luz do dia. Não sei por que artes do demo, mas a verdade é que a dita saiu em branco. Nicles. Népias.
Na minha doce inocência, presumi que a dita prosa tinha dado entrado no hiperespaço (ou ciber, se preferirem), direitinha ao monitor dos meus fiéis prosélitos. Mas não. Ficou a meio do caminho, perdida numa qualquer área de serviço, algures na imensa Autoestrada da Informação.
Posto isto, queria esclarecer que:
1-Não, não foi de propósito.
2-Não, naõ foi mesmo de propósito
2-Não, não estou a tentar criar nada de novo.
3-Não, não foi nenhuma "pedrada no charco" literário.
4-Não, não fumo disso.
5-Não, não tenho na família pintores abstraccionistas, naif ou coisa que o valha.
6-Não, não ando a experimentar coisas novas; ou pelo menos, nada que atente contra as leis de Deus, a moral e os bons costumes.
quarta-feira, outubro 20, 2004
segunda-feira, outubro 11, 2004
Sábado à noite.
Jantar com pessoal do trabalho -bem regado, menos para o vosso Mr. 7UP- enfim, business as usual. Até aqui, menos mal.
Menos bem estive na hora das despedidas. Ao lado do barracão (e já estou a ser condescendente) onde tomámos o dito repasto, aprochega-se uma jovem (16 anitos, bestialmente ébria) a pedir-me outro cigarro. Sim, outro, porque supostamente já lhe teria dado outro anteriormente. Faz conta. Mas não. Eu nem fumo. Ela é que estava com uma valente carraspana.
Em vez de lhe "dar com o charuto" (C. Martins dixit) limitei-me paneleiramente a encolher os ombros e a tentar convencê-la que estava a falar com outro gajo qualquer, que estava enganada, etc, etc, etc...Enfim, bichanismos avulsos, nos quais não me posso escudar.
Segunda à tarde.
Uma colega (beeeeeeeeeeeeemmmmmmmm boooooooooooaaaaaaaaaaa) que nunca tinha visto mais gorda dirige-se a mim, perguntando-me se tenho um envelope. Isso mesmo, um envelope. E eu -que sou em expoente de solicitude- movo montes, vales e penhascos na tentativa de encontrar um mísero exemplar desse Santo Graal do material de escritório. Em vão, diga-se. E ela lá saiu da sala, de mãos a abanar, envolta numa bruma translúcida, como deusa passeando pela brisa da tarde. Suspiro.
Moral da história:
Tá bem que um raio não cai duas vezes no mesmo sítio, mas já não saio de casa sem um cigarrito e um envelope. You never know...
sexta-feira, outubro 08, 2004
Ora leiam lá esta, que é muito boa:
"Um monhé quase a morrer tinha toda a familia em sua volta. Já a fraquejar, pergunta:
- Bashir, estás aqui meu filho?
- Sim, meu pai.
- Sara, também estás?
- Sim, meu pai.
- E tu, Sanjeev?
- Também, meu pai.
- Seus filhos da puta! Quem é que ficou na loja?!?"
segunda-feira, outubro 04, 2004
Gostava de dar uma palavrinha às alminhas que baptizam tudo o que é furacão, terremoto e afins. Que raio de ideia, essa de chamar "Hugo", "Charlie", "Jeanne" a tudo o que é desastre natural. Então e nomes como deve ser, não há nada? Que tal "Espiralado Braço de Satã" ou "Mensageiro do Armagedão", hein? Isto é que era um nome à furacão-macho! "El Ninõ"...? Por amor de Deus. Qualquer dia aparece aí algum ciclone "Piruças", não?
Outra coisa que anda a corroer as minhas patrióticas entranhas é o facto de nunca mais termos o nosso furacãozito nacional. É verdade! Até nas catástrofes naturais estamos na cauda de tudo e mais alguma coisa.
A fim de acabar com (mais) esta imoralidade, começo desde já por me chegar à frente e avançar as hipóteses "Maria Francisca", "Maria da Purificação", "Simões", "Antunes" e "Dani do Laranjeiro". Mas fico à espera do douto contributo da minha plateia. Naturalmente.
sexta-feira, setembro 24, 2004
Dois eventos marcaram indelevelmente a minha época estival.
O primeiro foi uma "trancada" que presenciei in loco entre um casal de surfistas apaixonados, na Praia Grande, aí pelas 4 da tarde de um Domingo. Tendo o paredão como sustentáculo, um jovem empenhado lá ia repetindo movimentos de anca em direcção ao céu, ou mais concretamente, em direcção à jovem que estava geometricamente encavalitada em cima do seu foguete. Foi giro.
O outro foi uma frase. Uma mera frase. Meditando sobre a agradável temperatura que se fazia sentir em dado momento, o meu amigo Gonçalo sai-se com a seguinte reflexão:
"Isto hoje está bom. A praia está mesmo à temperatura ambiente".
Enfim, uma "trancada" e uma conversa sobre o tempo. A vida segue dentro de momentos.
quarta-feira, setembro 22, 2004
Numa arrojada -na melhor das hipóteses...- manobra publicitária, a Xunta de Turismo de Galicia vem rezar o seguinte num "outdoor" na A1, lá para as bandas de Vila Franca:
"Foge a Santiago de Compostela"
Tudo bem, pá, ó senhores galegos do turismo. Prometo que não ponho aí os pés.
sábado, setembro 11, 2004
Dediquei-me numa destas sonolentas tardes de Domingo a apanhar uma barrigada de National Geographic, Odisseia, Discovery e tudo o que demais envolve animaizinhos que se comem uns aos outros. Não, não é desses que estou a falar: é dos que comem para sobreviver. Só isso.
"Ranking Animal" para aqui, " "Momento Discovery" para ali, lá me fui tornando um cidadão mais culto à medida que a tarde se espraiava.
De tudo o que me passou pelos olhos, houve um detalhe que achei particularmente curioso: a fêmea de um lêmur qualquer lá das Áfricas (já não me lembro do nome, só sei que tinha uma risca branca por debaixo da cremalheira) só está disposta a procriar 24 horas por ano...
Pois é, pois é...Um dia por ano, até o chão deve tremer na ilha de Madagáscar...
Faz lembrar aquela clássica anedota da feira repleta de gente, em que um cavalheiro vai inquirindo a populaça sobre o número de vezes que têm sexo por ano. As respostas vão surgindo de forma decrescente, desde os 1300, 1000, 900, (...) 10, 5...até que chegamos à pergunta fatídica:
"-E uma? Quem é que tem sexo uma vez por ano...?"
Segue-se um silêncio sepulcral, rompido bruscamente pelos berros histéricos de um transeunte:
"-EU!!!!!!!!! EU!!!!!!!"
Fica tudo estupefacto, até que o inquiridor lhe pergunta, baralhado:
"-Então mas se você só tem sorte uma vez por ano, como é que está tão contente...?"
"-É HOJE!!!!!! É HOJE!!!!!!"
terça-feira, setembro 07, 2004
Após prolongada ausência (leia-se balda) eis-me de volta ao frenesim publicista neste bastardo pasquim virtual. Não tenho tido tempo para isto, essa é a triste verdade, mas vou tentar redimir-me. Mas por agora já chega de cantiga, vamos ao que interessa.
Há formas mais e menos óbvias de uma mulher mostrar que não está com grande apetite para a coisa, não obstante os avanços insistentes do parceiro. Porém, a mais original que já ouvi (não estava lá, contaram-me...) tem como pano de fundo o Festival da Canção da RTP. Isso mesmo, o Festival da Canção.
Então não é a dita propõe ao pouco aventurado consorte uma catita sessão de visionamento do dito programa, como alternativa ao fervor apaixonado com que este se lhe dirigia: "E se fossemos ver o Festival...?"
Diz-me ela que "As mulheres são diferentes" e "...nem sempre apetece". O mais engraçado é que ela nem gosta de ver aquela trampa, foi apenas uma manobra de diversão. É muito triste, quando é maior diversão ouvir o Eládio Clímaco do que estar com o namorado na cama. Deve dar muito que pensar, seguramente.
quarta-feira, agosto 25, 2004
Nada disso, caro telespectador, não é nenhum texto-sequela da crónica ao livrinho da moda. Não há cá esoterismos, mistérios bíblicos nem nada que se pareça. A tríade sagrada a que me refiro trata dos três pilares fundamentais que norteiam a existência do meu excelso amigo Nelson Mendes, a saber:
-nunca levar no rabo
-nunca votar no Bloco de Esquerda (sob pena de ser merecidamente sujeito à alinea anterior)
-nunca praticar columbofilia (não, não tem nada a ver com dar cabo da anilha aos pombos; vê-los voar, e pouco mais)
Enfim, um homem do povo, o meu amigo Nelson Mendes.
sexta-feira, agosto 06, 2004
Na minha habitual peregrinação à FNAC, tenho sempre o hábito de mirar a tabela do "Top 10" das vendas de livros. Eis senão quando me deparo com o seguinte ultraje:
1º "O Código da Vinci-Romance"
2º O Código Da Vinci descodificado-o guia não autorizado dos factos por detrás da ficção"
(...)
5º O Segredo dos Templários-o Destino de Cristo: a investigação que deu origem a o Código da Vinci"
Investigação? Factos? Descodificado? Cambada de aldrabões!!! Já é altura de alguém fazer luz sobre esta tanga pegada. Na verdade, a história que baseia essa máquina de fazer dinheiro está paradoxalmente ligada a um humilde monge beneditino. Zarpou numa caravela para o Brasil, na altura dos Descobrimentos, a fim de evangelizar os gentios que por lá habitassem. Tal era o seu apetite sexual que passou a ser conhecido entre as nativas como o " Cônego que Dá Vintchi". Agora sim, a coisa está mesmo desmistificada. Tudo o resto são patranhas de gajos que fazem tudo para ganhar umas coroas.
P.S. Estão prontinhos para sair duas ou três versões de minha autoria, onde exponho friamente e sem qualquer interesse comercial a verdade nua e crua, sem subterfúgios infantis:
"Anita vai à Escola e decifra o Código Da Vinci"
"Astérix e o Código da Vinci"
"O Código da Vinci: saiba tudo sobre a melhoria da sua performance sexual, como fabricar o elixir da eterna juventude, como curar infecção de HIV e mais dez dicas ultra-infalíveis para engatar quem quer que lhe passe pela cabeça"
quinta-feira, julho 29, 2004
Eu sei que não é bem o meu género, mas venho aqui apelar à criação da segunda corrente de solidariedade daqui do "Parque". A segunda, porque a primeira já remonta à minha segunda ou terceira postada (caraças, ao tempo que isso já foi...)
Nessa altura foi apenas uma brincadeira, onde apelei ao meu (outrora) diminuto corpo de leitores para essa nobre empresa da subsidiação da minha viagem às Maldivas.
Mas agora a coisa é séria, muito séria: Portugueses e Portuguesas, vamos oferecer um corte de cabelo ao António Manuel Ribeiro, o rapazola dos UHF!!! E já agora, um casaquito novo, porque o cabedal é resistente, mas não eterno.
Não vire a cara a este desesperado pedido de ajuda, o Tó Mané precisa de si.
sexta-feira, julho 23, 2004
Meninas: dispam-se de preconceitos e vão animar a costa portuguesa. Vamos lá tostar essas glândulas mamárias.
Meninos: dêem um soco bem dado na areia, pela altura do baixo ventre e deitem-se confortavelmente de barriga para baixo. Isso de "armar tenda" na praia pode tornar-se embaraçoso...
Meninas&Meninos: não vão ver o "Homem Aranha 2". Depois não digam que não avisei.
quinta-feira, julho 22, 2004
Recebi há dias um e-mail de um tuner (para quem nunca ouviu falar, são aqueles filhos de Deus que gostam de encher os carros com paneleirices, muito sumariamente) agastado com um textozito inofensivo aqui do Parque, onde me debrucei sobre o fenómeno "tuning" com alguma profundidade.
Sucede que o Luis Lino, (assim se chama a virgem ofendida) resolveu chamar-me à razão, presenteando-me com a pérola que vou passar a citar já, já de seguida. A vossa atenção, por favor:
"Isto é para calar citações do género: " Em abono da verdade, as meninas que –regra geral- ocupam o lugar do pendura, não são propriamente um expoente de beleza. Feitas as contas, é muitas vezes necessário juntar vários especimens, por forma a conseguir reunir um exemplar de dentição completa... "
pois então fika lá com as picotadas e resto do ppl do tuning k nós vamos vivendo a vida ao som do redline (sabes o k é??) temos pena k só por que não se gosta tenha que se criticar... mas enfim não vale a pena ensinar burros, eles não aprendem...
P.S. não confundir street racing com tuning!! (se kiseres tb te explico a diferença...) kresce e aprende!!!
"As desculpas não se pedem, evitam-se!" "Don't ask for apologies, avoid them!" "Les excuses ne se demandent pas, on les évite!" [Tânia Santos]"
Já cá estou outra vez, caro leitor. E esta, hein...? Aquela frase do "nós vamos vivendo a vida ao som do redline" deixou-me sem palavras. Lacrimejante. Como diz o meu irmão, só vivem ao som do "redline" porque querem: experimentem meter a segunda de vez em quando e já só faz metade do barulho.
P.S: Acima de tudo...NUNCA CONFUNDIR STREET RACING COM TUNING!!!! Livrem-se!!!!
terça-feira, julho 13, 2004
Pois é, além aqui do nosso Parque, há um artefacto do reino do "PVC&friends" que também merece o cognome de "Pobrezinho": a tigela Domplex.
Não sei se o caro leitor já alguma vez atentou na pobreza franciscana que são as acções de marketing dessa companhia, mas é coisa para levar às lágrimas, no mínimo.
Depois do já clássico anúncio em que aparece a fábrica filmada de um helicóptero (coisa sofisticada, diga-se) as "beautiful minds" em causa lembraram-se de um slogan verdadeiramente revolucionário, a "pedrada no charco" no meio da publicidade em Portugal: "DOMPLEX, É BOM E TEM DOM".
E não me apetece dizer mais nada.
quinta-feira, julho 08, 2004
Não é que as desventuras amorosas de uma jovem universitária americana não me interessem e nem sequer me atrevo a pôr em causa o valor intrínseco de uma corrente de amizade por e-mail. São coisas importantes e que merecem um lugar especial, relicário onde guardo religiosamente esses raios de sol e esperança num mundo melhor: a "Recycle Bin".
segunda-feira, julho 05, 2004
Um destes dias dediquei-me com mais empenho a explorar as potencialidades de uma dessas máquinas digitais. Agora que chegou o calor (e com ele as miúdas de alças) essas maquinetas representam um admirável mundo novo de possibilidades para um gajo criativo e rebarbado como e...eh, como tanta gente que há por aí. Foi amor à primeira vista.
Estava tudo a correr tão bem, eis senão quando essa vil e traiçoeira geringonça de dois tostões acaba brutalmente com nossa a lua-de-mel, presenteando-me com uma inesperada mensagem no visor:
"NIVEL DE PILA DEMASIADO BAJO PARA REALIZAR UNA VISTA EN VIVO!"
Máquina estúpida, ninguém te perguntou nada.
terça-feira, junho 29, 2004
Ponham-me uma deusa nórdica a abanar o traseiro num vestido branco justo, que eu prometo que compro tudo o que ela mandar: sejam umas pastilhas "Tic-Tac", crédito à habitação, telefones da Optimus ou uma mistela dessas limpa-fornos. Nem quero saber. Sou o sonho tornado realidade de qualquer publicitário.
sexta-feira, junho 25, 2004
Antes de mais, peço desculpa pela minha prolongada ausência (leia-se balda de todo o tamanho), mas a minha caixa de plástico e silício lá de casa não anda muito cooperante com a minha vontade de postar. É a vida.
Hoje vim à escola e, claro está, aqui me desforro da menopausa que o meu paneleiro computador parece estar a atravessar. Adiante.
Que a Selecção tenha ganho e provocado uma explosão de euforia que nunca julgara possível, isso é qualquer coisa de espantoso. No entanto, muito além disso, ontem testemunhei um milagre.
É verdade, estimados ouvintes. Não desses milagres dos pães e dos peixes, mas uma coisinha mais à escala, embora não menos surpreendente. Sucede que tenho um vizinho cujo severo trombil faz lembrar aquele tipo que andava sempre à caça dos Estrumfes e que tinha um gato chamado Asrael, Gasganel ou...o raio que o parta. Não interessa.
Facto é que um cavalheiro que responde a um curriqueiro "boa tarde" com um grunhido ininteligível se dignou a (pasme-se) dirigir-me a palavra, dizendo qualquer coisa do género "-Isto hoje foi impróprio para cardíacos", não disfarçando um lapsus facial que me fez lembrar um sorriso, ou coisa muito parecida.
Veio para a rua mais o seu rebento, cada qual com seu cachecol. As velhotas aos pulos, a malta do bairro social a abanar os carros, o corpo de intervenção a malhar em dois foliões...enfim, uma festarola catita.
Menos positivo: um discípulo de Baco (aparece sempre um nestas ocasiões) que passou aí uma horita a vangloriar-se de possuir um apito oficial (ou uma merda qualquer do género) partilhando essa sua satisfação com os demais transeuntes, que estavam naturalmente muito interessados. Naturalmente.
Ó fado, saudade, vitórias morais e etc, vão apanhar caracóis.
Ontem vivi um conto de Natal, longe dessas tretas do Dickens.
quarta-feira, junho 16, 2004
Poderia ser um inédito da Agatha Christie, do Conan Doyle, ou assim. Mas não é. Sou eu mesmo a personagem principal nesta trama que envolve um Toyota bordeaux, as traseiras do Armazém F e um cidadão brasileiro.
Sucede que estaciono o bólide na zona do Cais do Sodré, onde está agora instalado o cantinho dos adeptos croatas, mesmo ao lado do Armazém F(a pulular de miúdas giras, para quem interesse). Deixei-o bem estacionado, como qualquer cidadão cumpridor e temente a Deus e à PSP. So far, so good.
O problema é quando regresso -aí pelas 22H30- e encontro a máquina infernal a 2 metros de onde o tinha deixado e virado na perpendicular... Vinha a falar ao tlm com a minha afilhada e, incrédulo, tentava compreender e explicar o sucedido. A primeira e natural reacção foi questionar a minha sanidade mental, que por sinal até já viu melhores dias. Mas não, que raio, eu estava convicto que o tinha deixado mais ao lado. As portas estavam trancadas e não havia qualquer sinal de intrusão. O mistério adensava-se e eu ali parado, como se um asno a olhar para o Taj-Mahal.
Fiquei uns bons três minutos especado a olhar para o veículo, a tentar fazer alguma luz sobre aquele quarto segredo de Fátima, quando um brasileiro irrompe à minha frente e termina a minha sessão de meditação com o Cosmos, ou lá o que é:
(cidadão brasileiro, a julgar pelo sotaque) -"Moço!!! Moço!!
(eu) - "O que é que este quer agora...deve ser arrumador, mas não vai ter grande sorte"-confidenciava este aos meus botões.
(cidadão brasileiro) - "Você deve ter grilado com o que aconteceu com seu carro, né?"
(eu) - Pois...um bocadinho...
(cidadão brasileiro) -"Sabe o que é, a minha gente teve que parquear o caminhão. Aí 15 homens pegaram no seu carro e o arrastaram para o lado. Foi só isso!"
Balbuciei qualquer coisa e meti-me no carro, ainda em estado de choque. E é em estado de choque que ainda me encontro, acabadinho de chumbar a uma cadeira, mais afundado que uma bigorna a flutuar no Atlântico Norte. É o que dá apostar na matéria que sai à base da metodologia esperançosa da roleta russa. Às vezes corre mal. Vamos ver como se safa a Selecção.
terça-feira, junho 08, 2004
Fiquei parvo (isto é, mais que o costume) com a adesão a essa história da bandeirinha lusa na janela de casa ou do veículo. Não há taxista que não ostente orgulhosamente o dístico nacional, pelo menos até ao dia do primeiro desaire desportivo: nesse momento passa tudo de bestial a besta, grande filho da puta, etc, etc, etc...
Enfim, parece-me relativamente inócua esta tentativa de espevitar a moral nacional à conta da bola. Desde que a coisa não volte ao "orgulhosamente sós", ao "Portugal do Minho a Timor e assim, também não há-de vir grande mal ao mundo. Cá estarei para ver quanto tempo dura a lua de mel com a selecção...
Por falar em Timor, ainda não me esqueci da outra epidemia de solidariedade que assolou as lusas gentes, não vai assim tanto tempo passado: o "lencinho por Timor". Pois é, tudo começou pelo uso de uma coisa qualquer branca no corpo durante (breves) 24 horas. No entanto, a coisa descarrilou para um frenesim de roupa a cheirar a Tide por tudo quanto era sítio: o lencinho de mão(por Timor), o lencinho à pirata (por Timor), o porta-chaves branco (por Timor), etc, etc, etc...Tudo o que era veículo automóvel tratou então de exibir o malfadado lenço atado à antena do transístor, passando do branco-alvo para o castanho-dejecto, fruto do inexorável decurso do tempo.
Menos mal, o (abençoado) uso da calça branca justa (por Timor). Isso sim, uma bonita e louvável demonstração de solidariedade.
quinta-feira, junho 03, 2004
Depois de travar conhecimento com o site do Manel (vide postada transacta), eis que descobri nas traseiras de um autocarro da Carris a matéria-prima desta postada: o novo relógio da Casio, um tal de "Wave Ceptor".
Mais coisa, menos coisa, o dito aparelhómetro recebe diariamente um feixe de Inglaterra (é no estrangeiro) com a hora actualizada, faça chuva ou faça sol. O argumentário de venda continua por aí fora, sustentando habilmnte que já não temos de sofrer as angústias do comum dos mortais, essas pobres almas que ainda não foram iluminadas pelo feixe salvífico, correndo o risco de andar dúzias e dúzias de segundos atrasados...
Vendo bem, desde que apareceu aquele modelo que substituía o comando de televisão (coisa que dá um jeitaço) já nada me devia espantar.
Em vez de inventarem esses monos que não servem para nada, mais valia deitassem mãos-à-obra e trabalhar numa coisa à séria, um GPS detector de miúdas giras e sem tabus de qualquer espécie. Isso é que era de homem!!!
segunda-feira, maio 31, 2004
Sucede que o dito cartaz apresenta a digníssima fronha do senhor Manuel Monteiro, encimada pelo endereço electrónico: "www.digaomanel.com", pressuponho um convite à reflexão, crítica ou coisa que o valha.
O que importa é que aqui o "staff" do Parque teve acesso privilegiado ao conteúdo dessa caixa de sugestões, revelando em primeira mão o conteúdo de meia dúzia delas:
"Quer ter um partido a sério? Pergunte-me como." -Jorge Correia, agente Herbalife
"Nova quê? Que palhaçada é esta!!?? Três vivas ao Ministro da Defesa!!" - Anónimo, S.Bento
"Epá, esses óculos, ó Manel, esses óculos..." Augustus, estilista
"É o homem mais sexy da política portuguesa, logo a seguir à Odete Santos" -Carlos Castro, afamada bicha do social
quinta-feira, maio 27, 2004
"-Não fiques assim, querida!! Não te preocupes por nenhum rapaz olhar para ti. Olha que não vale a pena!! Digo-te mais: quem vier a gostar de ti será pelo que realmente vales, os 10 milhões de dólares que vais herdar do teu pai..."
A vida segue dentro de momentos.
segunda-feira, maio 24, 2004
Faço questão de alertar as minhas amigas para a minha cruzada contra o "e-mail do cãozinho, gatinho e afins", flagelo sobre o qual já me dediquei em postada anterior. Trigo limpo, farinha Amparo, tudo o que é "gif" com bonecada morre nesta praia, tão certo como o Paulo Portas usar fio dental.
A maior parte respeita o "Bloqueio Continental", salvo uma ou outra alma penada que ainda não foi alvo da desejada endoutrinação.
Até aqui, menos mal.
O problema é que as pérfidas criaturas estão a congeminar novas (e ímpias) formas de furar o "bloqueio": então não é que essas sacerdotisas do Templo do Cãozinho se lembraram de baptizar os ficheiros de "Gajas nuas e levadas da breca" ou "Insaciável tríade nórdica", camuflando a ignóbil bicharada...?
Quo vadis, pena capital, tu que fazes cá tanta falta...
sexta-feira, maio 21, 2004
Foi com grande satisfação que constatei fazer parte dos eleitos do Mister Bidé.
Prometo trabalhar para merecer a confiança do "senhor mister"; e já agora, Quim e Moreira partam uma perna (é para dar sorte...)
Passo a enumerar a lista dos ilustres 23 convocados:
Ricardo
Quim
Moreira
F. Couto, R. Carvalho, J. Andrade, Beto, P. Ferreira, Miguel, N. Valente, R. Jorge, Petit, Costinha, Maniche, Deco, Tiago, R.Costa, Figo,C. Ronaldo, Simão,
N. Gomes, Pauleta, H. Postiga
P.S.Fernando Couto, a primeira entregadora de pizza está por minha conta. Não sejas lambão, há-de chegar para todos.
quarta-feira, maio 19, 2004
A comunidade científica nacional deitou mãos-à-obra e já conseguiram descortinar o que se tratava: "Naftalyn 2-1", um agente psicotrópofúngico altamente reactivo em contacto com o ar, muito vulgar entre produtos têxteis do género bandeira e cachecol, encarcerados em armários durante um longo período de tempo...
segunda-feira, maio 17, 2004
sexta-feira, maio 14, 2004
quarta-feira, maio 12, 2004
segunda-feira, maio 10, 2004
quarta-feira, maio 05, 2004
Namoro...? Para quem já viu as matilhas de inglesas ao ataque nos Algarves, "namoro" é aquela fase compreendida entre o "posso-te oferecer um copo" e "apetece-me um cigarro". Isto em inglês, que sempre tem muito mais estilo.
segunda-feira, maio 03, 2004
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